O Papel da Religião e os Direitos Humanos

   Herdamos boa parte dos nossos costumes, língua e valores da tradição cristã européia que colonizou o país, que serviu como base assimiladora das outras culturas étnicas que compõem a nossa. E a outra parte sofreu influência do Iluminismo, da Ciência e da ação deletéria da Ideologia mencionada nos posts anteriores. A religiosidade permitiu a superação da conduta baseada apenas nos instintos primitivos e voltada para necessidades imediatas, propiciando a formação de grupos sociais maiores, mais estáveis e capazes de sustentar uma maior variedade de divisão de tarefas por um tempo maior, que é o que chamamos civilização. Daí a humanidade pôde dar os passos seguintes, que foi o aperfeiçoamento de seu conhecimento e atuação sobre a natureza, deslocando tempo e recursos da sobrevivência para descobertas e inventividade. O preço a se pagar por isso, porém, é a obediência a dogmas e rituais, que funcionam como eixo de conduta em oposição à ação dos instintos que tendem à conduzir ao conflito de interesses e á fragmentação social.

 

   Os Dogmas da Igreja e suas leis canônicas, principalmente em seu aspecto normativo, sempre estiveram sujeitos à erosão provocada por interesses políticos, e eram salvaguardados pelo prestígio dos homens públicos que os defendiam. No entanto, seu aspecto cosmológico (entendimento do universo) garantia que mesmo quando o prestígio das instituições cristãs fosse arranhado, sua capacidade de nortear condutas continuasse vigorosa pois já estava em parte estabelecida na mentalidadedas pessoas. Com o Humanismo e a Ciência, a hegemonia da visão de mundo teológica foi quebrada e seus dogmas se tornaram mais frágeis à ação de interesses pessoais ou políticos. E com o Iluminismo, o próprio papel da Igreja e das religiões como principais referências e guardiãs da Boa Conduta foi questionado e agora está sendo fortemente combatido, para se colocar em seu lugar uma doutrina/instituição que ainda não está clara para a opinião pública mas que se apresenta como Direitos Humanos.

 

   No entanto, o que já é sabido é que os fomentadores dos Direitos Humanos orientam e dão suporte à doutrinação socialista, seja pelo financiamento seja pelo desenvolvimento de fundações de pesquisa e fomento à doutrinação esquerdista/marxista, como a Rockefeller, Ford, Open Society entre outras. E pela sua atuação, percebe-se que os movimentos comunistas tradicionais funcionariam como ponta de lança na derrubada do que resta das instituições e da cultura tradicional, não importando os meios nem o custo de vidas humanas. E para isso instrumentalizaram a Ciência sobre o comportamento humano para dar máxima eficiência ao avanço desta agenda (Engenharia Social), permitindo que até mesmo coisas absurdas sejam conhecidas,toleradas e aceitas pela sociedade.

 

   E é na confusão produzida por esse choque civilizacional que estamos vivendo agora. Enquanto a principal instituição que embasava nossa formação ética definha e não consegue mais cumprir seu papel diante da capacidade da ideologia/movimento comunista, aperfeiçoada pelas doutrinas científicas dos séculos XIX e XX para subjugá-la, os descendentes da elite industrial e financeira da Revolução Industrial estão defenestrando qualquer bastião de resistência política/intelectual/cultural/econômica via Corporações e sua relação promíscua com a burocracia estatal e acadêmica.

A Verdadeira Face do Leviatã Estatal

   O choque civilizacional entre a cultura tradicional Ocidental e a ideologia socialista se expressa através da degeneração cultural (que em outras palavras significa demolir a identidade cultural de um grupo estimulando entre seus membros a valorização e a prática de costumes diversos e incompatíveis com ele, ao mesmo tempo que o ataca e descredita por fora). Idealização de vícios, preferências pessoais e formas de entretenimento, alçados à categoria de autênticas referências de status moral e valores a serem seguidos, para se opor à ideías e hábitos que organizem e fortaleçam o elo entre um amontoado de pessoas e as tornam uma comunidade, um povo.

 
   Ao mesmo tempo, há a promoção do estamento burocrático como única fonte capaz e legítima para tomar decisões realmente importantes e agir conforme esta atribuição. Só ele é Legítimo pra fazer Justiça, só ele é legítimo para dizer como Educar, só ele é capaz de fornecer Segurança, Saúde e etc. Apelam a um discurso recheado de conceitos vagos e ambíguos (Igualdade, Liberdade, Diversidade, Pluralidade, Dignidade Humana e etc) para mascarar a identidade e os interesses dos verdadeiros grupos sociais que estruturam e dominam aquilo que se chama Estado, que também não passa de uma abstração que maqueia e idealiza o conluio entre políticos, sindicalistas, burocratas e os lideres empresariais que estão por trás deles para controlar e extorquir o resto da população, dizendo a representar.

 

   Minando o interesse e a capacidade de análise das pessoas em geral sobre questões de grande relevância através da promoção de uma "moral carpe diem" consumista, com hegemonia de discurso ideologicamente baseado sobre aspectos dela {sexualidade>causa gay, feminista/ consumismo> estímulo ao desejo de redistribuição de renda e não de oportunidades->cotas, ONGs políticas de "ajuda" aos pobres e movimentos sociais} o núcleo deste conluio partidário-privado-estatal consegue concentrar poder ao se tornar o único grupo social com plena ciência e interesse sobre estas questões e organizado o suficiente para ser capaz de agir nesta dimensão.

 
   Enquanto isso, os demais grupos sociais possuem indivíduos que em sua maioria possuem uma mentalidade que prioriza somente seus desafios profissionais e seu ambiente familiar-afetivo como realmente importantes, considerando os demais aspectos apenas como hobby ou entretenimento, restringindo sua visão e capacidade de influência política basicamente à sua capacidade de trabalhar, produzir e gastar, retroalimentando via impostos ou decisões políticas de seus patrões os recursos à serviço dessa mesma estrutura social. 

 

   São das políticas públicas e patrocínios empresariais sustentados pelo trabalho da massa desorganizada politicamente e/ou subordinada economicamente que movimentos ideológicos disruptores da sociedade conseguem sobreviver e prosperar. 
   É pela avareza consumista dos trabalhadores, afundados num egoísmo avesso à moralidade, que organizações sindicais profundamente corruptas e violentas conseguem prosperar. 
   É sedado pela retórica pacifista/masoquista da Igreja, há muito já corrompida, que os fiéis se reduzem a sofrer resignados diante de todos os tipos de vilipêndios e humilhações provocadas pelos seus inimigos.
   E é ludibriados por um discurso político-ideológico repleto de ambiguidades e contradições elevado à categoria de Lei Maior que nos submetemos voluntariamente à autoridade daqueles que não a fazem por merecer.

Fazendo um Apanhado

   Nossas principais referências culturais de ética e comportamento são: 1. doutrinas religiosas defasadas e decadentes/ 2. contrapostas por princípios (i)morais [busca da igualdade material (inveja), busca de direitos (sem mérito), busca da felicidade (sem responsabilidade), libertinagem sexual, avareza (ostentação/consumismo), politicamente correto e etc] que alimentam hedonismo e egocentrismo/ 3. promovidos e utilizados por um discurso ideológico totalitário concebido para subverter as primeiras e poder esvaziá-las e substituí-las.

Azeitando as engrenagens desse processo há a doutrina libertária, que idealiza o liberalismo econômico e disfarça a participação da estrutura econômica financeira-empresarial na atual conjuntura, seja através de sua influência sobre a circulação de informações (mídia), seja através de seu papel como viabilizador ou boicotador dos atores envolvidos, ou até mesmo como ambiente favorável para sua ocorrência. 
E complementando esse contexto há a doutrina científica, que sistematiza o conhecimento e potencializa os efeitos das doutrinas que se adaptam a ela, e o cientificismo, que é a crença dogmática na Ciência.

 

   O objetivo do Projeto Alcateia é quebrar esse círculo vicioso, e o primeiro passo para isso é quebrar primeiro a mentalidade dócil e infantilizada de cachorro de madame que possuimos em relação à essa estrutura apodrecida, ao confundi-la com civilidade. Ao invés disso se inspirar na ferocidade, perspicácia, astúcia, resiliência e trabalho em equipe dos lobos para moldar uma nova identidade e para resistir e prosperar nesse atual contexto.